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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Origens

Nos finais da Idade Média e séculos posteriores desenvolveram-se nas Ilhas Britânicas e em zonas circunvizinhas distintos tipos de jogos de equipe, os quais eram conhecidos como códigos de futebol. Estes códigos foram se unificando com o passar do tempo, mas foi na segunda metade do século XVII que ocorreram as primeiras grandes unificações do futebol, que deram origem ao rúgbi (futebol americano), ao futebol australiano, etc. e ao desporto que hoje é conhecido em grande parte do mundo como futebol.

Os primeiros códigos britânicos se caracterizavam por terem poucas regras e por sua extrema violência. Um dos mais populares foi o futebol escolar. Por esta razão o futebol escolar foi proibido na Inglaterra por um decreto do Rei Eduardo III, que alegou ser um desporto não-cristão, e a proibição perdurou por 500 anos. O futebol escolar não foi a única forma de jogo da época; de fato existiram outras formas mais organizadas, menos violentas e inclusive que se desenvolveram fora das Ilhas Britânicas. Um dos jogos mais conhecidos foi o calcio fiorentino, originário da cidade de Florência, na Itália, no período da renascença, no século XVI. Este desporto influenciou em vários aspectos o futebol atual, não somente por suas regras, mas também pelo ambiente de festa em que se jogavam estes encontros.

Unificações do século XIX

Os clubes britânicos se dividiram em relação ao jogo denominado rúgbi, e enquanto vários decidiram segui-lo, outros decidiram rejeitá-lo, devido ao fato que nestes a prática de não tocar a bola com a mão era mais aceita. Entre estes últimos se encontravam os clubes de Eton, Harrow, Winchester, Charterhouse e Westminster. Em meados do século XIX foram dados os primeiros passos para unificar todos as regras e formas de jogo do futebol em um único desporto. A primeira tentativa foi em 1848, quando na Universidade de Cambridge, Henry de Winton e John Charles Thring convocaram membros de outras escolas para regulamentar um código de regras, o Código Cambridge, também conhecido como as Regras de Cambridge. As regras tinham uma semelhança significativa com relação as regras do futebol atual. Talvez o mais importante de todos foi a limitação das mãos para tocar a bola, passando a responsabilidade de mover a mesma aos pés. O objetivo do jogo era fazer passar uma bola entre dois postes verticais e debaixo de uma fita que os unia, ato chamado gol, e a equipe que marcava mais golos era a vencedora. Também foi criada uma regra de impedimento similar à atual. Os documentos originais de 1848 se perderam, mas é conservada uma cópia das regras do ano 1856.

Entre 1857 e 1878 foi utilizado um conjunto de regras de futebol que também deixaria características ao futebol moderno: o Código Sheffield, também conhecido como as regras de Sheffield. O código, criado por Nathaniel Creswick e William Prest, adotou regras que ainda hoje são utilizadas, como o uso de um travessão (poste horizontal) de material rígido, no lugar da fita que se usava até o momento. Também foi adotada a utilização de tiros livres, escanteios e arremessos laterais como métodos de reintrodução da bola ao jogo.

Embora estas unificações de futebol levaram a vários avanços para a criação do futebol moderno, 26 de outubro de 1863 é considerado por muitos como o dia do nascimento do futebol moderno.

Nesse dia, Ebenezer Cobb Morley iniciou uma série de seis reuniões entre 12 clubes de distintas escolas londrinas na Taberna Freemason's, com o objetivo de criar um regulamento de futebol universal e definitivo, que tivesse a aceitação da maioria. Concluídas as reuniões, em 8 de dezembro, onze dos doze clubes chegaram a um consenso para estabelecer 14 regras do novo regulamento, o qual recebeu o nome de association football, para diferenciá-lo de outras formas de futebol da época. Somente o clube Blackheath se negou a apoiar a criação destas regras, e acabou mais tarde se tornando um dos criadores de outro famoso desporto, o rúgbi.

O regulamento utilizado como base para o futebol foi o Código Cambridge, exceto dois pontos do mesmo, que eram considerados de muita importância para as regras atuais: o uso das mãos para transportar a bola e o uso dos tackles (contato físico brusco para tomar a bola do rival) contra os adversários. Este foi o motivo do abandono do clube Blackheath. Com o tempo o futebol e o rúgbi foram se distanciando e acabaram por serem reconhecidos como dois desportos distintos.

Junto da criação do novo conjunto de regras foi criada a Football Association, órgão que rege até hoje o futebol na Inglaterra. Nessa época, os estudantes das escolas inglesas desenvolveram as abreviaturas rugger e soccer (derivado de "association"), para designar a ambos desportos: o rúgbi e o futebol, respectivamente. Este último termo é majoritariamente utilizados para designar o futebol nos Estados Unidos.

Primeiros eventos

Já com as regras do futebol bem definidas, começou-se a disputar os primeiros jogos e torneios com esta nova modalidade. Em 30 de novembro de 1872, Escócia e Inglaterra disputaram a primeira partida oficial entre seleções nacionais, jogo que acabou num empate sem golos. A partida foi disputada no Hamilton Crescent, atual campo de críquete, em Partick, Escócia.

Entre janeiro de março de 1884 foi disputada a primeira edição do British Home Championship, que até seu fim foi o torneio entre seleções mais antigo da história. O primeiro título foi ganho pela Escócia.

Em 20 de julho de 1871, um jornal britânico propôs a criação de um torneio que fosse organizado pela Football Association, o primeiro passo para a criação da Copa da Inglaterra. Esse ano, a Football Association era composta por 30 equipes, mas somente 15 decidiram participar da primeira edição do torneio, a FA Cup 1871-1872, que foi ganha pelo Wanderers F.C. A primeira competição de liga chegou na temporada 1888/1889 com a criação da Football League. Participaram 12 equipes afiliadas à FA, e cada uma jogou 22 partidas. Este torneio foi vencido pelo Preston North End Football Club, que conseguiu o feito de vencer invicto.

Expansão internacional


A Seleção Britânica de Futebol venceu o primeiro campeonato internacional entre seleções.Com o passar dos anos, o futebol expandiu-se rapidamente nas Ilhas Britânicas, surgindo assim novas associações de futebol além da inglesa, as quais representavam as quatro regiões constituintes da então Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda: a Scottish Football Association (Escócia, fundada em 1873), a Football Association of Wales (País de Gales, 1875) e a Irish Football Association (Irlanda, 1880). No final dos anos 1880 o futebol começou a expandir-se rapidamente fora do Reino Unido, principalmente devido à influência internacional do Império Britânico.

Os primeiros países a possuirem suas próprias associações de futebol fora das Ilhas Britânicas foram os Países Baixos a a Dinamarca, em 1889, a Nova Zelândia, em 1891, a Argentina em 1893, o Chile, a Confederação Helvética e a Bélgica em 1895, a Itália em 1898, a Alemanha e o Uruguai em 1900, a Hungria em 1901, a Noruega em 1902 e a Suécia em 1904.

O auge do futebol a nível mundial motivou a criação da FIFA em 21 de maio de 1904. As associações fundadoras foram as da Bélgica, da Espanha, Dinamarca, França, Países Baixos, Suécia e Suíça. As quatro associações de futebol do Reino Unido, as chamadas Home Nations, se opuseram à criação desse órgão.[20] Devido ao crescimento do futebol, a FIFA havia anunciado a primeira competição internacional de seleções para 1906, mas devido a problemas internos de várias associações a mesma não foi realizada. O futebol já havia sido apresentado ao mundo por meio de uma série de encontros de exibição durante os Jogos Olímpicos de 1900, 1904, 1906 (jogos intercalados), todos a nivel de clubes, até que a edição de 1908 recebeu pela primeira vez uma competição de seleções. A medalha de ouro foi para a Seleção Britânica.

Em 1916 foi fundada a Confederação Sul-Americana de Futebol, que nesse mesmo ano organiza a primeira edição do Campeonato Sulamericano de Futebol, atual Copa América. Este torneio se mantém até hoje como o mais antigo da história do futebol entre seleções nacionais, dos que ainda existem. Nessa primeira edição participaram: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, que foi o campeão.

A Primeira Guerra Mundial fez atrasar o desenvolvimento do futebol, mas as edições de 1924 e 1928 dos Jogos Olímpicos revitalizaram o desporto, particularmente as atuações da seleção uruguaia. Este novo crescimento do futebol fez com que a FIFA confirmasse em 28 de maio de 1928 em Amsterdã a realização de um campeonato mundial de seleções, cuja sede seria confirmada em 18 de maio de 1929 no congresso de Barcelona. Uruguai foi escolhido como a sede da primeira edição da Copa do Mundo, que ocorreu no ano do centenário da primeira Constituição uruguaia.

A seleção uruguaia tornou-se o primeiro campeão da história da competição. A segunda edição do torneio ocorreu em 1934, na Itália, e foi utilizada pelo ditador Benito Mussolini como propaganda de seu regime. A competição foi marcada pela intervenção de Mussolini, que fez de tudo para que a seleção italiana obtivesse o título, inclusive com ameaças aos árbitros da final. A terceira edição do torneio também foi marcada por Mussolini, que antes da final entre a Itália e a Hungria enviou um telegrama a sua seleção ameaçando os jogadores de morte. Finalmente a seleção azzurra, que vestiu um uniforme completamente preto representando o Partido Nacional Fascista, venceu a final por 4 a 2.

A Segunda Guerra Mundial também teve um efeito similar sobre o futebol. Em 1946 as Home Nations, que haviam se desfiliados da FIFA depois da Primeira Guerra Mundial, voltaram ao organismo internacional. 10 de maio de 1947 é considerada uma data de vital importância para o ressurgimento da FIFA e do futebol mundial, graças à realização da partida amistosa entre a seleção do Reino Unido e uma seleção de jogadores europeus, o Resto da Europa XI, no denominado Jogo do Século. O encontro foi disputado em Hampden Park, Glasgow, Escócia, diante de 135.000 espectadores. O time britânico venceu o jogo por 6 a 1, e a arrecadação da partida foi doada à FIFA para ajudá-la em sua refundação.

A primeira edição da Copa do Mundo FIFA depois da Segunda Guerra Mundial ocorreu no Brasil em 1950. A conquista da seleção uruguaia no lembrado Maracanaço coroou uma revitalização da FIFA e do futebol mundial.

Consolidação

Ryan Valentine marca para o Wrexham durante um jogo da Football League Two.A segunda metade do século XX foi a época de maior crescimento do futebol. O futebol sulamericano já se encontrava organizado desde 1916, ano no qual foi fundada a Confederação Sul-Americana de Futebol, mas o desporto em outras regiões começaria a se organizar nos anos 1950 e 60. Em 1954 o futebol europeu e asiático passou a ser regido pela União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) respectivamente. Na África, foi fundada a Confederação Africana de Futebol (CFA) em 1957; na América do Norte, a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF) en 1961; e por último na Oceania, a Confederação de Futebol da Oceania (OFC) em 1966. Estas organizações se afiliaram à FIFA sob o estatuto de confederações.

Paralelamente às criações das novas confederações iniciaram-se as disputas dos primeiros torneios regionais de seleções, exceto a Confederação Sul-Americana de Futebol, que já disputava seu Campeonato Sulamericano de Seleções desde 1916. Em 1956 a AFC realizou a primeira edição da Copa da Ásia, e no ano seguinte a CFA organizou a Copa Africana de Nações. Em 1960 foi criado o Campeonato Europeu de Futebol (Eurocopa), que agrupa as seleções da UEFA. Por sua vez, a CONCACAF organizou pela primeira vez a Copa CONCACAF em 1963, que mais tarde seria substituída pela Copa Ouro. A Confederação de Futebol da Oceania foi a última a criar seu próprio torneio, a Copa das Nações da OFC, realizada pela primeira vez em 1973.

Devido à criação das confederações começaram-se a disputar os primeiros campeonatos internacionais a nível de clubes, sendo a primeira de seu tipo a Liga dos Campeões da UEFA, que reunia os campeões das principais ligas dos países da UEFA a partir de 1955. Cinco anos mais tarde se iniciou a Copa Libertadores da América, evento máximo para clubes de futebol afiliados à CONMEBOL, que foi disputada pela primeira vez em 1960. Nesse mesmo ano foi disputada a primeira edição da Copa Intercontinental, que reuniu os campeões de ambos torneios. Este torneio foi substituído em 2005 pela Copa do Mundo de Clubes da FIFA, campeonato que já havia tido uma edição em 2000. Este torneio passou a ser disputado por representantes de todas as confederações.

Enquanto isso, a Copa do Mundo FIFA se consolidou como o evento desportivo de maior importância no mundo inteiro, inclusive superando em audiência os próprios Jogos Olímpicos.

Influência no mundo

Popularidade

Segundo uma pesquisa realizada pela FIFA no ano de 2006, aproximadamente 270 milhões de pessoas no mundo estão ativamente envolvidos no futebol, incluindo jogadores, árbitros e diretores. Destas, 265 milhões jogam o desporto regularmente de maneira profissional, semi-profissional ou amadora, considerando tanto a homens, mulheres, jovens e crianças. Este valor representa cerca de 4% da população mundial. A confederação com maior porcentagem de pessoas ativamente envolvidas com o futebol é a CONCACAF, com cerca de 8,53% da população. Em contrapartida, na região da AFC esta porcentagem é de somente 2,22%. A UEFA tem uma porcentagem de participação de 7,59%; a CONMEBOL, de 7,47%; a OFC, de 4,68%; e a CFA, de 5,16%. Existem mais de 1,7 milhões de equipes no mundo e aproximadamente 301 000 clubes.

O país com mais jogadores que regularmente atuam (exceto crianças) é a China Continental, que possui 26,1 milhões de futebolistas. Em seguida vêm: Estados Unidos (24,4 milhões), Índia (20,5 milhões), Alemanha (16,3 milhões), Brasil (13,1 milhões) e México (8,4 milhões). Por outro lado, a entidade com menor quantidade de futebolistas regulares (excetuando-se crianças) é Montserrat, com apenas 300 jogadores, seguido das Ilhas Virgens Britânicas (658), Anguila (760) e as Ilhas Turcas e Caicos (950).

Futebol feminino

O futebol feminino tem apresentado um crescimento lento atualmente, principalmente devido a obstáculos sociais e culturais que não permitem o ingresso pleno da mulher ao desporto.[24] O primeiro jogo feminino sob as regras de futebol do qual se tem registros ocorreu em 1892, na cidade escocesa de Glasgow. No final de 1921 o futebol feminino foi proibido na Inglaterra, ação não seguida por outros países do mundo. Em 1969 o futebol feminino voltou a ser realizado na Inglaterra, motivo pelo qual começou a se expandir fora do seu território. A primeira partida internacional de seleções de futebol feminino ocorreu em 1972, casualmente 100 anos depois do primeiro encontro masculino, onde a Inglaterra venceu a Escócia por 3 a 2.[26] Os primeiros torneios mundiais começaram a ser disputados nos anos 1990: a Copa do Mundo de Futebol Feminino a partir de 1991 e como desporto olímpico desde 1996.

Segundo uma pesquisa realizada pela FIFA, existem cerca de 26 milhões de jogadoras no mundo. Em média, para cada 10 futebolistas (de ambos sexos) existe uma jogadora no mundo.

O CBF NEWS inicia nesta sexta-feira a publicação do Álbum da Seleção Brasileira. Nele, estarão registrados jogos e fatos da história do futebol brasileiro que estão documentados pela Gerência de Memória da CBF.

A Seleção Brasileira que derrotou o Uruguai por 1 a 0 na final da Copa América de 1989 no Maracanã. Em pé: Mazinho, Taffarel, Mauro Galvão, Ricardo Gomes (capitão), Aldair e Branco. Agachados: Bebeto, Romário, Silas, Dunga e Valdo

A Seleção Brasileira demorou 40 anos para retomar a hegemonia no futebol sul-americano. Depois do título conquistado em 1949, com a competição disputada no Brasil, a Copa América voltou a ser realizada em nosso país, em 1989, tendo o Brasil se sagrado campeão invicto.

A campanha do título de 1989 começou com uma vitória de 3 a 1 sobre a Venezuela, no dia 1 de julho, no Estádio da Fonte Nova, seguida de dois empates em 0 a 0 com Peru e Colômbia, também em Salvador.

Vieram as vitórias de 2 a 0 sobre o Paraguai no Estádio do Arruda, em Recife, e os três jogos da fase final, todas no Maracanã, no Rio de Janeiro: 2 a 0 sobre a Argentina, 3 a 0 sobre o Paraguai e 1 a 0 sobre o Uruguai.

O jogo final contra o Uruguai foi disputado no Maracanã no dia 16 de julho, portanto, exatamente 39 anos depois da derrota na final da Copa do Mundo de 1950 por 2 a 1 para os uruguaios.

Romário marcou o gol da vitória da Seleção Brasileira, aos quatro minutos do segundo tempo. Bebeto foi o artilheiro da Copa América de 1989, com seis gols.

Garrincha (ex-ponta do Botafogo e da Seleção Brasileira)


Espanhol Garcia, durante a Copa de 62: "Cadê o Garrincha que estava aqui?". A foto é da revista "O Cruzeiro", edição especial em comemoração ao bicampeonato no Chile. Nada a comentar, afinal, como um dia definiu o jornalista Mauro Beting, "uma foto vale por mil palavras"


Botafogo x Bonsucesso, no Maracanã, em 1962: o volante Silvio (camisa 5) tenta parar Garrincha. Beto, Cassiano e Amarildo (o 10 do Botafogo, entrando na área) estão atrás do Mané. O sete do Bonsucesso é Augusto.
1966: pela expressão facial de Garrincha você sente sua decepção ao estrear no time do Corinthians perdendo por 3 a 0 para o Vasco, no Pacaembu.

Ouça aqui-os inesquecíveis Pedro Luiz e Edson Leite transmitindo o Brasil na Copa de 58, na Suécia, em nosso primeiro título mundial. A dupla fez a Rádio Bandeirantes atingir mais de 90% de ibope.

GARRINCHA

Manoel dos Santos, o Garrincha, o melhor ponta-direita que o mundo já viu, morreu pobre no Rio de Janeiro no dia 20 de janeiro de 1983. Genial com a bola nos pés, o anjo de pernas tortas, como era chamado, foi castigado pela vida boêmia que teve após deixar os gramados. O apelido era o nome de um passarinho, que quando garoto o ponta gostava de caçar.

Começou a carreira no Botafogo em 1953, equipe que defendeu até 1965. O time da estrela solitária conquistou vários títulos: campeão carioca (1957, 1961 e 62), do Rio-São Paulo (1962, 64 e 66). Foi peça essencial nas seleções brasileiras de 1958 e 1962, que conquistaram, respectivamente, as Copas da Suécia e do Chile.

Aliás, em 1962 Garrincha foi o grande astro do time brasileiro. Sem Pelé, que se contundiu ainda na primeira fase da competição, o ponta-direita do Botafogo chamou a responsabilidade para si e desequilibrou.

Garrincha foi um dos 47 jogadores convocados, pelo técnico Vicente Feola, para o período de treinamento que visava conquistar a Copa da Inglaterra e, consequentemente, o tricampeonato mundial de futebol. Infelizmente deu tudo errado.

Os 47 jogadores convocados, devido a forte pressão dos dirigentes dos clubes, para o período de treinamento em Serra Negra-SP e Caxambu-MG como preparação para a Copa de 66, na Inglaterra, foram: Fábio – São Paulo, Gylmar – Santos, Manga – Botafogo, Ubirajara Mota – Bangu e Valdir – Palmeiras (goleiros); Carlos Alberto Torres – Santos, Djalma Santos – Palmeiras, Fidélis – Bangu, Murilo – Flamengo, Édson Cegonha – Corinthians, Paulo Henrique – Flamengo e Rildo – Botafogo (laterais); Altair – Fluminense, Bellini – São Paulo, Brito – Vasco, Ditão – Flamengo, Djalma Dias – Palmeiras, Fontana – Vasco, Leônidas – América/RJ, Orlando Peçanha – Santos e Roberto Dias – São Paulo (zagueiros); Denílson – Fluminense, Dino Sani – Corinthians, Dudu – Palmeiras, Edu – Santos, Fefeu – São Paulo, Gérson – Botafogo, Lima – Santos, Oldair – Vasco e Zito – Santos (apoiadores); Alcindo – Grêmio, Amarildo – Milan, Célio – Vasco, Flávio – Corinthians, Garrincha – Corinthians, Ivair – Portuguesa de Desportos, Jair da Costa – Inter de Milão, Jairzinho – Botafogo, Nado-Náutico, Parada – Botafogo, Paraná – São Paulo, Paulo Borges – Bangu, Pelé – Santos, Servílio – Palmeiras, Rinaldo – Palmeiras, Silva – Flamengo e Tostão – Cruzeiro (atacantes).

Dos 47 convocados por Vicente Feola, para esse infeliz período de treinamentos, acabaram viajando para a Inglaterra os seguintes 22 "sobreviventes": Gylmar e Manga (goleiros); Djalma Santos, Fidélis, Paulo Henrique e Rildo (laterais); Bellini, Altair, Brito e Orlando Peçanha (zagueiros); Denílson, Lima, Gérson e Zito (apoiadores); Garrincha, Edu, Alcindo, Pelé, Jairzinho, Silva, Tostão e Paraná (atacantes).

Depois do Botafogo, já com sérios problemas no joelho, Garrincha ainda defendeu o Corinthians (1966), a Portuguesa Carioca (1967), o Atlético Júnior, da Colômbia (1968), o Flamengo (1968), o Olaria (1972) e no time do Milionários, entre 1974 e 1982.

O Milionários era um time de jogadores veteranos que se apresentava em todos os cantos do Brasil levando o encanto e o talento que verdadeiros gênios tiveram para que vários rincões distantes pudessem também ver de perto quem forjou a grandeza do futebol do Brasil. O idealizador do Milionários, com sede em São Paulo, foi o saudoso Toledo, falecido no dia 13 de abril de 1999.

Foram 13 partidas com a camisa do Timão (5 vitórias, 2 empates, 6 derrotas) e apenas dois gols marcados (fonte: Almanaque do Corinthians - Celso Unzelte).

Em sua curta passagem pelo Flamengo, foram 20 jogos (12 vitórias, 4 empates, 4 derrotas) e quatro gols marcados (fonte: Almanaque do Flamengo - Clóvis Martins e Roberto Assaf).

Já com a camisa da seleção brasileira, foram 60 jogos (52 vitórias, 7 empates, 1 derrota) e 16 gols marcados (fonte: Seleção Brasileira 90 anos - Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf).

por Rogério Micheletti

QUANDO GARRINCHA CHOROU

O site Terceiro Tempo recebeu no dia 24 de janeiro de 2006, do internauta Maciel de Aguiar, o seguinte e-mail:

São coisas que só acontecem ao Botafogo e ao Estado do Espírito Santo. Menino ainda... torcia para não virar botafoguense diante daquele extraordinário elenco: Didi, Nilton Santos, Garrincha... e olha que o Vasco era o “Expresso da Vitória” – foi duro.

Não, não tinha aparelhos de TV nos idos de 50, era tudo romanticamente ouvido no rádio, na distante Conceição da Barra. Imaginava os dribles intangíveis do gênio das pernas tortas e indagava: Como pode alguém com as pernas feito um bambolê e a bacia deslocada fazer coisas mirabolantes. Pior... ao vê-lo – no Maracanã, já em fim de carreira – observei que as mágicas pernas eram vergadas para um lado, aí tive que refazer os dribles na memória. Reconstituir Coronel, Bigode, Orlando e Bellini, batendo cabeça. E suas pernas bailavam desafiando a anatomia, a ortopedia e a lei da gravidade pela linha imaginária dos gramados dos meus sonhos de menino.

Se tivesse uma religião seria a das pernas do Garrincha. Iria adorá-las e reverenciá-las pelos santos e abençoados dribles nos “joões”. Os argentinos não criaram uma religião para o Maradona? Por que não criamos outra para as pernas do Garrincha? Tadinho de Maradona com aqueles driblezinhos previsíveis, aquelas perninhas certinhas e bem torneadas... Estou falando de coisas imprevisíveis, sagradas, míticas, que fizeram a realeza Sueca, em 1958, curvar-se às suas chuteiras; depois no Chile, em 62, a sagração.

Em São Mateus, no norte capixaba, em 1980, a Prefeitura Municipal contratou a “Seleção” da AGAP-RJ para enfrentar o escrete local. A principal atração, lógico: Mané Garrincha. Gritei feito louco e até esqueci as vicissitudes da província...

No dia do jogo, o nosso Garrincha chegou com a perna fraturada e foi gessado pelo médico Ericson Peçanha, no Hospital Maternidade. Humano e gentil, fez questão de cumprimentar todos os doentes, mas estava fora do “clássico”.

– Como assim? Indagou o prefeito... e tomou uma decisão surpreendente: – Arranjem umas muletas para ele entrar em campo, caso contrário não pago...”.

E assim foi feito – providenciaram duas muletas e o gênio das pernas tortas, o deus dos dribles sublimes, a alegria do povo –, entrou no gramado apoiando-se num só pé, sob aplausos dos torcedores.

Aproximei-me e vi que Garrincha chorava... paralisado, assisti àquela cena insólita.

Olhei-o com um misto de dor e desespero.

Quando Garrincha chorou... meus olhos se encheram d´água.

Maciel de Aguiar é escritor e reside no Porto de São Mateus. memorialeditora@terra.com.br

A LENDA GARRICHA:

"Um lenço era um latifúndio para o talento de Garrincha"(Armando Nogueira)

"Ele parado já era um drible"(Jô Soares brinca ao falar sobre Garrincha, que tinha problemas na coluna e as pernas tortas)

"Ele era extraordinário. Encantava o torcedor"(Jô Soares, novamente, sobre Garrincha)

"O Pelé era um atleta e Garrincha um artista"(Armando Nogueira)

LEIA MAIS: Lembrança - O dia em que Garrincha, Nena e mais 20 jogadores foram expulsos de campo.

1954, Rio de Janeiro: Indio, Zózimo, Joel, Garrincha, Evaristo e Bellini, ligadíssimos no carioca Jornal dos Sports.

Seleção Brasileira em 1964: Arnaldo Tirone, Ronaldo Lembo, Rinaldo, Garrincha, Eli Coimbra, Juarez Soares e um jornalista não identificado.



Em fevereiro de 1959, a Seleção Carioca goleou a Seleção Paulista por 5 a 1, no Maracanã. Castilho está sendo atendido pelo médico e massagista carioca. Garrincha bebe água, Bellini observa, Écio conversa com o árbitro Alberto da Gama Malcher e o camisa 10 é um tal de Pelé.

E aqui está uma foto mais nítida de Garrincha posando com a camisa do Vasco: os então cruzmaltinos Paulo Dias e Almir só viram o Deus Mané naquele 2 de março de 1967

Botafogo dos anos 50. Em pé: Lamin, Cacá, Domicio, Nilton Santos, Pampolini e Ronald; Agachados: Mané Garrincha, Tião Macalé, Paulo Valentim, Quarentinha e Amarildo. E atenção: conforme escandalosamente se nota, a cabeça de Lamin nesta foto foi "transplantada". Lamin explica: um filho dele, pequeno, queimou a "cabeça original" com um cigarro de um tio. Inconformado, ele "arrumou" outra cabeça porque daquela foto histórica não poderia ficar de fora.

Em pé: Djalma Santos, Minuca, Bellini, Benê, Nilton Santos e um goleiro não identificado. Agachados: Bigode, Garrincha, Paulo Borges, Tupã e Dorval.

Brasil 1958. Em pé: De Sordi, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gylmar. Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e Mário Américo.

Garrincha, Paulo Borges, Lance, Tupãzinho... alguns dos craques que atuaram no time de veteranos Milionários. E reparem como as pernas de Tupãzinho (o quarto) eram tortas como as de Mané Garrincha.

Elenco de veteranos do Milionários. Em pé: Djalma Santos, Bellini, Paulo Borges, goleiro não identificado, Humberto Monteiro, um outro jogador não identificado, Barbosinha, Minuca, Fio Maravilha e mais um desconhecido. Agachados estão o massagista Bigode (o primeiro), Garrincha (o segundo) e César Maluco (o terceiro).

Esta foto foi tirada antes de um jogo realizado na cidade de Alegre, no Espírito Santo, no dia em que o Clube Alegrense Futebol Clube trouxe para um amistoso festivo o eterno e querido Mané. Aqui, ele está ao lado do também saudoso Dr. Warlen Campos, figura conhecida na região

Garrincha, Pelé, Paulo Valentim, Didi e Zagallo: ninguém tira mais esse tipo de foto. Que pena! E, deles, só Pelé não era do Botafogo.

Acima, em montagem especial, confira todos os campeões mundiais pelo Brasil na Copa de 58, na Suécia.

Esta foto maravilhosa mostra os jogadores perfilados quando da primeira convocação para a Seleção Brasileira que iria disputar, dias depois, a Copa do Mundo do Chile de 1962. Na primeira fila de cima para baixo, o primeiro é Aimoré Moreira, o segundo é o dentista Mario Trigo, o terceiro é o médico Hilton Gosling, o quinto é o preparador físico Paulo Amaral e o sétimo é o supervisor Carlos Nascimento; na segunda fila vemos Gilmar, Calvet, Quarentinha, Mauro, Airton Pavilhão, Bellini e o massagista Santana; na terceira fila vemos Didi, Djalma Santos, Pepe, Jurandir, Mengálvio, Nilton Santos, Vavá, Castilho, Julinho e Altair; entre Didi e Djalma Santos, vemos o roupeiro Chicão; na primeira fila de baixo para cima vemos Mário Américo, Coutinho, Jair da Costa, Germano, Rildo, Amarildo, Jair Marinho, Zito, Zagallo, Pelé, Garrincha e Zequinha; atrás de Mário Américo, o grande goleiro Valdir Joaquim de Moraes

Reprodução de capa da revista "Fatos e Fotos" de 1966, cujo conteúdo se direcionou integralmente aos jogadores brasileiros que dias depois disputariam, e perderiam, a Copa do Mundo da Inglaterra. Na foto, vemos Garrincha em ação em partida amistosa contra a Alemanha disputada no Maracanã no dia 06 de junho de 1965. Naquele dia, o Brasil venceu por 2 a 0 com gols Flávio e Pelé

Na concentração da seleção brasileira, em 1964, Mané Garrincha está pensativo durante um joguinho (seria de damas ou ludo?) com companheiros. Bianchini observa o maior de todos os pontas.

Vejam a Seleção Brasileira em campo na Copa do Mundo de 1962. Em pé temos o técnico Aymoré Moreira, Djalma Santos, Zito, Gilmar, Zózimo, Nilton Santos e Mauro; agachados estão Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo

Em pé: Jair Marinho, Édson, Galhardo, Ditão, Dino Sani e Heitor. Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto.

Em pé: Maciel, Marcial, Édson, Dino Sani, Galhardo e Ditão. Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto.

Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Galhardo, Ditão, Édson e Heitor. Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto.

Apresentação dos jogadores convocados pela Seleção Brasileira para excursão à Europa. Observem como a reunião de parte da delegação brasileira, mesmo com dois títulos mundiais (1958 e 1962) era improvisada, em sala apertada no dia 25 de maio de 1965. Da esquerda para a direita: Fefeu, Sebastião Leônidas, Garrincha, Jairzinho, Murilo, um diretor da CBD, Orlando Peçanha (atrás), Gérson, Altair, Bianchini, Doutor Hilton Gosling (médico da Seleção), senhor Ernesto Santos (dirigente) e João Havelange, então presidente da CBD.

Vejam a Seleção Brasileira em amistoso no Maracanã em 1965. Reprodução de foto publicada no saudoso jornal "A Gazeta Esportiva". Em pé estão Djalma Santos, Bellini, Manga, Orlando, Rildo e Dudu; agachados estão Mário Américo, Garrincha, Ademir da Guia, Flávio, Pelé e Rinaldo

Em pé: De Sordi, Jadir, Nilton Santos, Gylmar, Mauro e Roberto Belangero. Agachados: Mário Américo, Garrincha, Moacir, Mazzola, Pelé e Canhoteiro

No final da carreira, Garrincha jogou várias partidas exibição em troca de alguns trocados que o ajudassem a se sustentar. Em um desses jogos, defendeu a camisa do Alecrim, de Natal, clube fundado pelo ex-presidente Café Filho. Na foto, é o segundo agachado da esquerda para a direita. Nesta dia, o time potiguar enfrentou amistosamente o Sport, no estádio Juvenal Lamartine, e mesmo com Mané em campo, perdeu por 1 a 0

Reprodução de página de editorial da revista 'Manchete' de 09 de junho de 1962 mostra Pelé e Garrincha sendo abençoados antes da Copa do Mundo do Chile começar. O editorial também faz referência ao fato de o filme 'O Pagador de Promessas', estrelado por Glória Menezes e Leonardo Vilar, ter sido premiado com a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes

Um gênio chamado Garrincha. Por José Roberto de Oliveira

Neste ano que lembramos, tristemente, os 25 anos de ausência do nosso querido Mané Garrincha, não poderia deixar de dar o meu depoimento pessoal sobre esta genialidade de jogador de futebol que, indiscutivelmente, não teve, até o momento, alguém que seja comparado a ele, não obstante o carisma de Pelé e de Maradona.

Ano de 1982, se não me falha a memória, em Indaiatuba, SP. A APAE da cidade, com pouco tempo de fundação, buscava de todo modo, recursos financeiros para dar continuidade em seus trabalhos de atendimento aos excepcionais, ou melhor, portadores de Síndrome de Dawn e solidificação de suas dependências.

Como um dos seus fundadores e pertencente ao quadro de sua diretoria de então, decidimos contratar os conhecidos Milionários, para uma partida contra o Esporte Clube Primavera local. Um evento com o caráter beneficente.

Mais do que nunca, os Milionários se prontificaram a estar na cidade, marcando data, hora e local. O Estádio Ítalo Mário Limongi foi pequeno para receber tanta gente. É que no contrato rezava a presença indispensável de um jogador: Mané Garrincha. Sem este, o contrato jamais sairia.

Entre os jogadores da equipe de veteranos, estava Paulo Borges, Tupãzinho e Dudu. Uma partida que ficaria marcado para sempre em minha retina. Explico.

O jogo dos veteranos do Milionários contra a equipe de profissionais do Esporte Clube Primavera se iniciou sem a presença de Mané Garrincha. É que ele havia chegado atrasado e não estava bem. Tive a oportunidade de vê-lo no carro, estendido no banco de trás e sem possibilidade alguma de entrar em campo. Mané Garrincha realmente não teria qualquer oportunidade de iniciar a sua carreira: tinha as pernas visivelmente tortas. Sei que o Luís Pereira (Luís Chevrolet), que iniciou sua carreira no São Bento de Sorocaba, passando pela Europa e Palmeiras, tem as pernas tortas. Contudo, estas pernas nem chegam no que eram as de Mané Garrincha, razão pela qual o denominam, também, de “o gênio das pernas tortas”.

Recolhido nos vestiários, demos, a ele, café quente, sem açúcar e tudo o mais fizemos para reanimá-lo. Foi difícil. O célebre jogador não dava sinal que poderia ficar em pé, tal o seu lastimável estado.

Lá, nas arquibancadas do estádio, a gritaria era ensurdecedor:

- “Garrincha! Garrincha! Garrincha! Queremos Garrincha!

O jogo parou e fomos falar com Dudu, que era o interlocutor do Milionários e expomos que não dava para continuar. E, possivelmente, teríamos que devolver o dinheiro, porque os que estavam ali queriam, a tudo o custo, ver Mané Garrincha em campo. Só vê-lo em campo, estariam satisfeitos.

Depois de um vai-e-vem, conseguiu-se deixar o Garrincha em pé. E lá foi o jogador para o campo. A sua entrada triunfal, foi um delírio total. Nunca imaginei que uma pessoa fosse tão idolatrada como o Mané Garrincha.

Reiniciou-se o jogo e o fantástico ponta ficava indo de um lado a outro, mas sem ninguém lhe passasse a bola. Havia o medo de uma queda ou qualquer coisa que pudesse lhe acontecer.

O delírio foi geral: “Bola pro Garrincha! Bola pro Garrincha!

E novamente o jogo pára. Chamamos o Dudu e expomos a situação. O ex-palmeirense foi claro, dizendo que Mané Garrincha não tinha condições de apanhar a bola e sair jogando. Mas nada disso adiantou. Propomos que ele mesmo, Dudu, jogasse para o ponta uma bola, só para constar. O pouco que ele estivesse com a mesma, seria o suficiente para os que pagaram o ingresso e lotaram o estádio.

Pois bem. Num determinado tempo do jogo, Dudu lhe faz um cruzamento. A bola chega pelo alto, até o peito de Mané Garrincha. Desliza sobre o seu corpo, chegando até os seus pés. Pisa e faz um gesto de vitória. Depois escorrega e cai. Não levanta mais e é retirado de maca.

Estes meus olhos, que a Terra há de comer, jamais presenciaram uma situação de jogo de futebol onde a bola, como que por um encanto, chega ao peio do jogador e só desce, vagarosamente até aos seus pés, com a serenidade de possuir um imã dentro dela e, creio eu, existir um outro dentro do fantástico jogador. Foram segundos de pura luz, tal a beleza de um gênio do futebol e uma esfera apaixonada por todos.

Mané Garrincha, ao que pese o aparecimento de jogadores extraordinários, principalmente aqui no Brasil, jamais será superado pela sua formosura em campo e, também, pelas suas célebres tiradas, próprias de sua simplicidade, cantadas em versos, em livros biográficos, em maestrias de vídeos que nos enchem de alegria, “alegria do povo” – assim como o chamavam.



*José Roberto Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador.
E-mail: guedes.idt@terra.com.br

Botafogo de Ribeirão Preto e Botafogo, o legítimo, posam antes de amistoso em 1958, na ex-capital do café. Em pé: Bauer (o terceiro), o goleiro Amauri (o quinto), Nilton Santos (o sexto), Beto (o oitavo) Didi (o décimo) seguido por Pampolini e Tomé; todos do Botafogo "pai". O primeiro agachado é Paulo Valentim. Garrincha e Zezé (ex-Corinthians) são os dois últimos.

Pelas lentes mágicas de Domício Pinheiro, Pelé e Garrincha escrevem a história da Copa do Mundo de 1958


Pelé e Garrincha: sem dúvida, os dois maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Um, eternizou a camisa 10 do Santos. O outro, imortalizou a 7 do Botafogo. E juntos, com a amarelinha, nunca foram derrotados

O Brasil de camisa azul na decisão da Copa do Mundo de 1958 contra a Suécia. Com atuação de gala de Pelé, vitória brasileira por 5 a 2 e o primeiro título mundial de nosso país. Em pé estão Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar; agachados vemos Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e Mário Américo

Em pé: Paulinho de Almeida, Zito, Castilho, Orlando, Coronel e Mauro Ramos de Oliveira. Agachados: o massagista Mário Américo, Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Pelé e Zagallo.

Da esquerda para a direita: Zito, Gylmar, Jair Marinho, Mauro, Calvet, Nilton Santos, Pepe, Coutinho, Didi, Gérson e Garrincha.

Silvano e Garrincha pelo Guarapuava, Adilson e Barbosinha vestindo a camisa do Ponta Grossa. Esta foto é de 1969 quando Silvano participou de jogo festivo ao lado do maior ponta-direita de todos os tempos

Em final de carreira, Garrincha teve meteórica passagem pelo Corinthians. No Parque São Jorge, o magistral ponta fez amigos. Entre eles: Maciel, Nei e Édson Cegonha (fotografados ao lado de Mané, da esquerda para a direita).


O ano de 1962 foi mágico para o Botafogo. O clube recebeu do COI (Comitê Olímpico Internacional) o título de Campeão de terra, mar e ar por ter conquistado títulos em todas as modalidades esportivas, 120 no total. Além disso, cedeu cinco titulares para a Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo do Chile, Didi, Amarildo, Zagallo, Nilton Santos e Garrincha. A foto mostra o esquadrão alvinegro campeão do Torneio Rio-São Paulo daquela temporada com Joel, Manga, Zé Maria, Pampolini, Paulistinha e Rildo em pé; agachados vemos Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.

Em 1966, Garrincha chegou ao Timão como grande esperança. Mas em suas apenas 13 partidas com a camisa do Corinthians, nem de longe lembrou o Mané dos tempos de Fogão.

Mané x Décio Teixeira, em 1966: deu empate. Garrincha não fez de Décio um novo “João”.

Este é o selo da Copa do Mundo de 1962 assinado pelos heróis brasileiros que a conquistaram em gramados chilenos. Uma verdadeira relíquia

Imortal, Garrincha ganhou este busto na entrada da sede do Glorioso




TROFÉU CARRANZA 66 – Embarque do Corinthians à Espanha para a disputa do Troféu Carranza, em 66. Estão em pé, Sérgio Barbalho, o diretor Chico Mendes, Flávio, Dino Sani, Édson, Marcos, o preparador físico José de Souza Teixeira, Clóvis, o massagista Souza, Nair, Ditão, o médico Haroldo Campos, o dirigente Jamil Helou, sra. Wadih Helu, o presidente Wadih Helu, o técnico Filpo Nuñez; agachados: Maciel, Marcial, Tales, Roberto Bataglia, Heitor, Galhardo, Gilson Porto, Roberto Rivellino, Mané Garrincha e Jair Marinho.

O preparador físico Paulo Amaral não dava descanso para os jogadores do Botafogo nem no convés do navio, em que a equipe da Estrela Solitária viajava para jogar alguns amistosos no continente europeu.
Crédito foto: Blog do Jornalista Roberto Porto

Pampolini, Lance, Garrincha, Djalma Santos, Nilton Santos e Bellini: eles ainda defenderam o romântico Milionários FC por puro amor ao futebol. A foto é do dia 26 de agosto de 1976.



Vejam Garrincha em 1972 na cidade de Jequié, na Bahia, ao lado do massagista Foca. No dia em que esta foto foi tirada, ele jogou no estádio municipal Waldomiro Borges de Souza, o primeiro tempo pela seleção de Ipiaú e o segundo pela de Jequié. O resultado da partida foi 2 a 2. Foto enviada pelo internauta Waldemir Vidal

Botafogo anos 50. Em pé: Gérson dos Santos, Gilson, Nilton Santos, Danilo Alvim, Ruarinho e Orlando Maia. Agachados: Mané Garrincha, Dino da Costa, Carlyle, Paulinho e Vinicius. A foto foi enviada pelo historiador José Eustáquio


Ao terminar a partida contra a Suécia, o ainda garoto Pelé caiu no gramado aos prantos. Garrincha tenta amparar o Rei.

Foto crédito: Gazeta Press/iG

Veja Garrincha concentrado para enfrentar a URSS, no terceiro jogo da Copa de 1958, onde o Brasil conquistou o primeiro caneco.

Foto crédito: Gazeta Press/iG

A foto enviada pelo historiador Walter Roberto Peres é de 1968 e mostra Garrincha, no Maracanã, com a camisa do Flamengo. Combinava?


Uma das formações da Seleção Brasileira na fase de preparação para a Copa do Mundo de 1962: Djalma Santos, Bellini, Zito, Calvet, Castilho e Nílton Santos; agachados: massagista Santana, Garrincha, Didi, Coutinho, Pelé, Pepe e o massagista Mário Américo.

Crédito foto: Arquivo CBF

No final dos anos 50, Vasco e Santos eram a base da seleção brasileira com o “reforço” do Botafogo. Em pé: Djalma Santos, Castilho, Bellini, Formiga, Orlando e Coronel. Agachados: Garrincha, Didi, Almir, Pelé, Chinesinho e Mário Américo.

Da esquerda para a direita, na equipe do Milionários: Garrincha, Ivair “O Príncipe” (ex-Lusa e Corinthians), Toninho Guerreiro, Brecha e Pepe.

O álbum-relíquia é do livro “O Eterno Futebol”, autobiografia do saudoso Mário Trigo, dentista da seleção nas vitoriosas campanhas da Suécia, Chile e México.

A torcida de Campos do Jordão desenhou um colar de diamantes em homenagem à Seleção Brasileira que, meses depois, seria bicampeã do mundo, em 1962. A foto não é linda? E era só treino das seleções A e B, de Aimoré Moreira. Da esquerda para a direita, estão: De Sordi, Jair da Costa, Prado, Didi, Calvet, Altair, Zito, Pelé, Zagallo, Airton Pavilhão, Gylmar, Bellini, Laércio, Jair Marinho, Amarildo, Aldemar, Rildo, Zequinha, Pepe, Garrincha, Vavá e Mengálvio. A foto-relíquia é do livro “O Eterno Futebol”, autobiografia do saudoso Mário Trigo, dentista da seleção nas vitoriosas campanhas da Suécia, Chile e México.

Vejam a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1966 com autógrafos dos craques que fizeram água em campos da Inglaterra. Vemos Gylmar, Djalma Santos, Fidélis, Bellini, Brito, Altair, Orlando, Paulo Henrique, Rildo, Pelé, Gérson, Manga, Denílson, Lima, Zito, Garrincha, Jairzinho, Alcindo, Silva, Tostão, Paraná e Edu

Que timaço de veteranos. Imagine quanto trabalho daria se tivesse realmente atuado junto algum dia profissionalmente. Vemos em pé Djalma Santos, Renato, Minuca, Djalma Dias, Bellini e Oreco e agachados Garrincha, Lima, Paulo Borges, Negreiros e Paraná

1962. Edição comemorativa da revista "O Cruzeiro" em homenagem ao bicampeonato da seleção no Chile. Na foto, vemos o brilhante orador Carlos Lacerda, então governador da Guanabara, presentear Garrincha com o pássaro "Mainá".

Zagallo e Garrincha correm para abraçar Amarildo, autor do primeiro gol do Brasil contra a Tchecoslováquia, na final da Copa de 62. O jogo terminou 3 a 1 para a seleção canarinho. Para comemorar o bicampeonato, a revista "O Cruzeiro" fez uma belíssima edição em homenagem aos atletas que levantaram a Taça Jules Rimet pela segunda vez.

Espanhol Garcia, durante a Copa de 62: "Cadê o Garrincha que estava aqui?". A foto é da revista "O Cruzeiro", edição especial em comemoração ao bicampeonato no Chile.

Garrincha entrando com o Flamengo no Maracanã lotado. Atrás do craque está o zagueiro Onça. E do lado esquerdo (da esquerda para a direita) estão: Silva (embaixo da fumaça), Liminha e Luís Carlos Tatu. À frente, com a mão direita na bandeira, o lateral Paulo Henrique. E atrás da cabeça de Paulo Henrique você vê parte do rosto do saudoso zagueiro Moisés. Esse jogo foi o da estréia do Mané: Fla 0 x Vasco 2, dia 30 de abril de 1968, no Maracanã, em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo. O Mengão formou com Dominguez, depois Marco Aurélio, Marcos (irmão do Paulo Henrique), Onça, Moisés e Paulo Henrique; Liminha e Rodrigues Neto; Garrincha, depois Zélio (que é irmão do Cafuringa e do Chiquinho Pastor), Dionísio, Silva e Luís Carlos.

Foto enviada por Marcelo de Paula Dieguez

Imagem real ou montagem de computador? Oito jogadores marcando Garrincha?
Foto enviada por Marcelo de Paula Dieguez

Garrincha rodeado por crianças em amistoso do Flamengo.
Foto enviada por Marcelo de Paula Dieguez

Da esquerda para a direita, em 1960, em Criciúma (SC): Didi, Joacy Casagrande e Garrincha.


Em meados da década de 1950, Garrincha estava começando no Botafogo (vejam o grande ponta na foto acima, primeiro agachado da esquerda para a direita). Havia acabado de deixar o distrito de Pau Grande, no Rio de Janeiro, para vestir as cores do Botafogo. A frase de Armando Nogueira para definir sua chegada ao clube da estrela solitária é antológica. "Lá (em Pau Grande) era ídolo de um povoado. No Botafogo, tornou-se ídolo de um povo".

Veja acima a Seleção Brasileira com a camisa azul. Da esquerda para à direita- Em Pé: Paulo Planet Buarque, De Sordi, Oreco, Zózimo, Dino Sani, Castilho, Mauro e o técnico Vicente Feola. Agachados: Mário Américo, Garrincha, Moacir, Vavá, Dida e Zagallo.Crédito foto: Arquivo Nacional.
Crédito foto: Arquivo Nacional

Garrincha, o ex-ponta Joacy Casagrande e um repórter nos anos 60


Nesse "meio" time do Botafogo, Edgar é o goleiro, seguido por Gérson dos Santos. A Enciclopédia Nilton Santos é o último em pé. O saudoso e inesquecível Garrincha é o primeiro agachado.

Jogo-treino entre Seleção Brasileira, com uniforme grená, contra o Atlético Mineiro, em Caxambú (MG). A foto, enviada por Walter Roberto Peres, é de Jader Neves, da Revista Manchete, do dia 7 de março de 1966


Pelé estava longe de ser um Toquinho ou Almir Sater, aliás, muito longe. Mas tentava se arriscar no violão. Em pé estavam Lima e Denilson. Agachados, ladeando Pelé, Garrincha e Ivair. A foto, enviada por Walter Roberto Peres, foi publicada na Revista Manchete no dia 7 de março de 1966

Preparação para a Copa do Mundo de 1966 na cidade de Caxambu-MG. A imagem dos atletas, refletida na água, foi publicada pela revista Manchete (edição 13), no mesmo ano. Da esquerda para a direita: Edu, Garrincha, Pelé e Ivair.

Revista “Manchete” de 7 de maio de 1966. A foto foi tirada por Jader Neves, em Caxambu-MG, durante a preparação da Seleção para a Copa de 1966 na Inglaterra. Em pé: Carlos Alberto, Zito, Manga, Brito, Orlando e Rildo. Agachados: o massagista Mário Américo, Garrincha, Gérson, Servílio, Pelé, Paraná e o massagista Santana.



Garrincha e Pelé vestiram por muitos anos o agasalho da Seleção Brasileira. E que orgulho, hein? Para eles e para nós!

Garrincha com a camisa do Olaria, contra o Flamengo. A partida terminou 1 a 1 e foi realizada no dia 23 de janeiro de 1972, no Maracanã. Ao todo, Garrincha fez 18 jogos com a camisa do Olaria. A foto foi enviada pelo querido Arthur Neto, torcedor fanático do Olaria AC. Obrigado, Arthur!

Veja o time do Milionários FC em 1977. Em pé, da esquerda para a direita: Djalma Santos, Dias, Djalma Dias, Aguinaldo, Orlando e Oreco. Agachados: Garrincha, Paulo Borges, Toninho Guerreiro, Brecha e Pepe.



Nilton Santos e Garrincha, na época do “guaraná com rolha”.


Botafogo, 1955. Em pé: Tomé, Nilton Santos, Orlando, Juvenal, Bob e Lugano. Agachados: um massagista, Garrincha, Gato, Paulinho Ladrão, Casnock e João Carlos.


Enquanto a Seleção Brasileira suava a camisa para ganhar a Copa de 58, o grande presidente Juscelino Kubitschek ouvia os jogos pelo rádio e torcia por Pelé, Garrincha e companhia. Aliás, só dava para acompanhar as partidas pelo rádio. Não existia TV no Brasil. A foto é da revista Manchete.



Na final do Campeonato Carioca de 1962 o Flamengo não impediu o colossal Botafogo de conquistar o título com uma impetuosa vitória por 3 a 0. Na foto, da esquerda para a direita, vemos: Edson, Garrincha, Zagallo, Amarildo e Quarentinha. Ao fundo, com a camisa do rubro-negro, aparece Gérson, o "Canhotinha de Ouro". O último é o ex-flamenguista Jadir.

Veja Garrincha e Dida, o segundo e o terceiro agachados, respectivamente, no CSA das Alagoas, cuja alcunha é: "O Azulão do Mutange". Esse é um dos apelidos mais lindos do futebol brasileiro. O "Papão da Curuzu", do Paysandu, também é belíssimo.