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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Garrincha (ex-ponta do Botafogo e da Seleção Brasileira)


Espanhol Garcia, durante a Copa de 62: "Cadê o Garrincha que estava aqui?". A foto é da revista "O Cruzeiro", edição especial em comemoração ao bicampeonato no Chile. Nada a comentar, afinal, como um dia definiu o jornalista Mauro Beting, "uma foto vale por mil palavras"


Botafogo x Bonsucesso, no Maracanã, em 1962: o volante Silvio (camisa 5) tenta parar Garrincha. Beto, Cassiano e Amarildo (o 10 do Botafogo, entrando na área) estão atrás do Mané. O sete do Bonsucesso é Augusto.
1966: pela expressão facial de Garrincha você sente sua decepção ao estrear no time do Corinthians perdendo por 3 a 0 para o Vasco, no Pacaembu.

Ouça aqui-os inesquecíveis Pedro Luiz e Edson Leite transmitindo o Brasil na Copa de 58, na Suécia, em nosso primeiro título mundial. A dupla fez a Rádio Bandeirantes atingir mais de 90% de ibope.

GARRINCHA

Manoel dos Santos, o Garrincha, o melhor ponta-direita que o mundo já viu, morreu pobre no Rio de Janeiro no dia 20 de janeiro de 1983. Genial com a bola nos pés, o anjo de pernas tortas, como era chamado, foi castigado pela vida boêmia que teve após deixar os gramados. O apelido era o nome de um passarinho, que quando garoto o ponta gostava de caçar.

Começou a carreira no Botafogo em 1953, equipe que defendeu até 1965. O time da estrela solitária conquistou vários títulos: campeão carioca (1957, 1961 e 62), do Rio-São Paulo (1962, 64 e 66). Foi peça essencial nas seleções brasileiras de 1958 e 1962, que conquistaram, respectivamente, as Copas da Suécia e do Chile.

Aliás, em 1962 Garrincha foi o grande astro do time brasileiro. Sem Pelé, que se contundiu ainda na primeira fase da competição, o ponta-direita do Botafogo chamou a responsabilidade para si e desequilibrou.

Garrincha foi um dos 47 jogadores convocados, pelo técnico Vicente Feola, para o período de treinamento que visava conquistar a Copa da Inglaterra e, consequentemente, o tricampeonato mundial de futebol. Infelizmente deu tudo errado.

Os 47 jogadores convocados, devido a forte pressão dos dirigentes dos clubes, para o período de treinamento em Serra Negra-SP e Caxambu-MG como preparação para a Copa de 66, na Inglaterra, foram: Fábio – São Paulo, Gylmar – Santos, Manga – Botafogo, Ubirajara Mota – Bangu e Valdir – Palmeiras (goleiros); Carlos Alberto Torres – Santos, Djalma Santos – Palmeiras, Fidélis – Bangu, Murilo – Flamengo, Édson Cegonha – Corinthians, Paulo Henrique – Flamengo e Rildo – Botafogo (laterais); Altair – Fluminense, Bellini – São Paulo, Brito – Vasco, Ditão – Flamengo, Djalma Dias – Palmeiras, Fontana – Vasco, Leônidas – América/RJ, Orlando Peçanha – Santos e Roberto Dias – São Paulo (zagueiros); Denílson – Fluminense, Dino Sani – Corinthians, Dudu – Palmeiras, Edu – Santos, Fefeu – São Paulo, Gérson – Botafogo, Lima – Santos, Oldair – Vasco e Zito – Santos (apoiadores); Alcindo – Grêmio, Amarildo – Milan, Célio – Vasco, Flávio – Corinthians, Garrincha – Corinthians, Ivair – Portuguesa de Desportos, Jair da Costa – Inter de Milão, Jairzinho – Botafogo, Nado-Náutico, Parada – Botafogo, Paraná – São Paulo, Paulo Borges – Bangu, Pelé – Santos, Servílio – Palmeiras, Rinaldo – Palmeiras, Silva – Flamengo e Tostão – Cruzeiro (atacantes).

Dos 47 convocados por Vicente Feola, para esse infeliz período de treinamentos, acabaram viajando para a Inglaterra os seguintes 22 "sobreviventes": Gylmar e Manga (goleiros); Djalma Santos, Fidélis, Paulo Henrique e Rildo (laterais); Bellini, Altair, Brito e Orlando Peçanha (zagueiros); Denílson, Lima, Gérson e Zito (apoiadores); Garrincha, Edu, Alcindo, Pelé, Jairzinho, Silva, Tostão e Paraná (atacantes).

Depois do Botafogo, já com sérios problemas no joelho, Garrincha ainda defendeu o Corinthians (1966), a Portuguesa Carioca (1967), o Atlético Júnior, da Colômbia (1968), o Flamengo (1968), o Olaria (1972) e no time do Milionários, entre 1974 e 1982.

O Milionários era um time de jogadores veteranos que se apresentava em todos os cantos do Brasil levando o encanto e o talento que verdadeiros gênios tiveram para que vários rincões distantes pudessem também ver de perto quem forjou a grandeza do futebol do Brasil. O idealizador do Milionários, com sede em São Paulo, foi o saudoso Toledo, falecido no dia 13 de abril de 1999.

Foram 13 partidas com a camisa do Timão (5 vitórias, 2 empates, 6 derrotas) e apenas dois gols marcados (fonte: Almanaque do Corinthians - Celso Unzelte).

Em sua curta passagem pelo Flamengo, foram 20 jogos (12 vitórias, 4 empates, 4 derrotas) e quatro gols marcados (fonte: Almanaque do Flamengo - Clóvis Martins e Roberto Assaf).

Já com a camisa da seleção brasileira, foram 60 jogos (52 vitórias, 7 empates, 1 derrota) e 16 gols marcados (fonte: Seleção Brasileira 90 anos - Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf).

por Rogério Micheletti

QUANDO GARRINCHA CHOROU

O site Terceiro Tempo recebeu no dia 24 de janeiro de 2006, do internauta Maciel de Aguiar, o seguinte e-mail:

São coisas que só acontecem ao Botafogo e ao Estado do Espírito Santo. Menino ainda... torcia para não virar botafoguense diante daquele extraordinário elenco: Didi, Nilton Santos, Garrincha... e olha que o Vasco era o “Expresso da Vitória” – foi duro.

Não, não tinha aparelhos de TV nos idos de 50, era tudo romanticamente ouvido no rádio, na distante Conceição da Barra. Imaginava os dribles intangíveis do gênio das pernas tortas e indagava: Como pode alguém com as pernas feito um bambolê e a bacia deslocada fazer coisas mirabolantes. Pior... ao vê-lo – no Maracanã, já em fim de carreira – observei que as mágicas pernas eram vergadas para um lado, aí tive que refazer os dribles na memória. Reconstituir Coronel, Bigode, Orlando e Bellini, batendo cabeça. E suas pernas bailavam desafiando a anatomia, a ortopedia e a lei da gravidade pela linha imaginária dos gramados dos meus sonhos de menino.

Se tivesse uma religião seria a das pernas do Garrincha. Iria adorá-las e reverenciá-las pelos santos e abençoados dribles nos “joões”. Os argentinos não criaram uma religião para o Maradona? Por que não criamos outra para as pernas do Garrincha? Tadinho de Maradona com aqueles driblezinhos previsíveis, aquelas perninhas certinhas e bem torneadas... Estou falando de coisas imprevisíveis, sagradas, míticas, que fizeram a realeza Sueca, em 1958, curvar-se às suas chuteiras; depois no Chile, em 62, a sagração.

Em São Mateus, no norte capixaba, em 1980, a Prefeitura Municipal contratou a “Seleção” da AGAP-RJ para enfrentar o escrete local. A principal atração, lógico: Mané Garrincha. Gritei feito louco e até esqueci as vicissitudes da província...

No dia do jogo, o nosso Garrincha chegou com a perna fraturada e foi gessado pelo médico Ericson Peçanha, no Hospital Maternidade. Humano e gentil, fez questão de cumprimentar todos os doentes, mas estava fora do “clássico”.

– Como assim? Indagou o prefeito... e tomou uma decisão surpreendente: – Arranjem umas muletas para ele entrar em campo, caso contrário não pago...”.

E assim foi feito – providenciaram duas muletas e o gênio das pernas tortas, o deus dos dribles sublimes, a alegria do povo –, entrou no gramado apoiando-se num só pé, sob aplausos dos torcedores.

Aproximei-me e vi que Garrincha chorava... paralisado, assisti àquela cena insólita.

Olhei-o com um misto de dor e desespero.

Quando Garrincha chorou... meus olhos se encheram d´água.

Maciel de Aguiar é escritor e reside no Porto de São Mateus. memorialeditora@terra.com.br

A LENDA GARRICHA:

"Um lenço era um latifúndio para o talento de Garrincha"(Armando Nogueira)

"Ele parado já era um drible"(Jô Soares brinca ao falar sobre Garrincha, que tinha problemas na coluna e as pernas tortas)

"Ele era extraordinário. Encantava o torcedor"(Jô Soares, novamente, sobre Garrincha)

"O Pelé era um atleta e Garrincha um artista"(Armando Nogueira)

LEIA MAIS: Lembrança - O dia em que Garrincha, Nena e mais 20 jogadores foram expulsos de campo.

1954, Rio de Janeiro: Indio, Zózimo, Joel, Garrincha, Evaristo e Bellini, ligadíssimos no carioca Jornal dos Sports.

Seleção Brasileira em 1964: Arnaldo Tirone, Ronaldo Lembo, Rinaldo, Garrincha, Eli Coimbra, Juarez Soares e um jornalista não identificado.



Em fevereiro de 1959, a Seleção Carioca goleou a Seleção Paulista por 5 a 1, no Maracanã. Castilho está sendo atendido pelo médico e massagista carioca. Garrincha bebe água, Bellini observa, Écio conversa com o árbitro Alberto da Gama Malcher e o camisa 10 é um tal de Pelé.

E aqui está uma foto mais nítida de Garrincha posando com a camisa do Vasco: os então cruzmaltinos Paulo Dias e Almir só viram o Deus Mané naquele 2 de março de 1967

Botafogo dos anos 50. Em pé: Lamin, Cacá, Domicio, Nilton Santos, Pampolini e Ronald; Agachados: Mané Garrincha, Tião Macalé, Paulo Valentim, Quarentinha e Amarildo. E atenção: conforme escandalosamente se nota, a cabeça de Lamin nesta foto foi "transplantada". Lamin explica: um filho dele, pequeno, queimou a "cabeça original" com um cigarro de um tio. Inconformado, ele "arrumou" outra cabeça porque daquela foto histórica não poderia ficar de fora.

Em pé: Djalma Santos, Minuca, Bellini, Benê, Nilton Santos e um goleiro não identificado. Agachados: Bigode, Garrincha, Paulo Borges, Tupã e Dorval.

Brasil 1958. Em pé: De Sordi, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gylmar. Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e Mário Américo.

Garrincha, Paulo Borges, Lance, Tupãzinho... alguns dos craques que atuaram no time de veteranos Milionários. E reparem como as pernas de Tupãzinho (o quarto) eram tortas como as de Mané Garrincha.

Elenco de veteranos do Milionários. Em pé: Djalma Santos, Bellini, Paulo Borges, goleiro não identificado, Humberto Monteiro, um outro jogador não identificado, Barbosinha, Minuca, Fio Maravilha e mais um desconhecido. Agachados estão o massagista Bigode (o primeiro), Garrincha (o segundo) e César Maluco (o terceiro).

Esta foto foi tirada antes de um jogo realizado na cidade de Alegre, no Espírito Santo, no dia em que o Clube Alegrense Futebol Clube trouxe para um amistoso festivo o eterno e querido Mané. Aqui, ele está ao lado do também saudoso Dr. Warlen Campos, figura conhecida na região

Garrincha, Pelé, Paulo Valentim, Didi e Zagallo: ninguém tira mais esse tipo de foto. Que pena! E, deles, só Pelé não era do Botafogo.

Acima, em montagem especial, confira todos os campeões mundiais pelo Brasil na Copa de 58, na Suécia.

Esta foto maravilhosa mostra os jogadores perfilados quando da primeira convocação para a Seleção Brasileira que iria disputar, dias depois, a Copa do Mundo do Chile de 1962. Na primeira fila de cima para baixo, o primeiro é Aimoré Moreira, o segundo é o dentista Mario Trigo, o terceiro é o médico Hilton Gosling, o quinto é o preparador físico Paulo Amaral e o sétimo é o supervisor Carlos Nascimento; na segunda fila vemos Gilmar, Calvet, Quarentinha, Mauro, Airton Pavilhão, Bellini e o massagista Santana; na terceira fila vemos Didi, Djalma Santos, Pepe, Jurandir, Mengálvio, Nilton Santos, Vavá, Castilho, Julinho e Altair; entre Didi e Djalma Santos, vemos o roupeiro Chicão; na primeira fila de baixo para cima vemos Mário Américo, Coutinho, Jair da Costa, Germano, Rildo, Amarildo, Jair Marinho, Zito, Zagallo, Pelé, Garrincha e Zequinha; atrás de Mário Américo, o grande goleiro Valdir Joaquim de Moraes

Reprodução de capa da revista "Fatos e Fotos" de 1966, cujo conteúdo se direcionou integralmente aos jogadores brasileiros que dias depois disputariam, e perderiam, a Copa do Mundo da Inglaterra. Na foto, vemos Garrincha em ação em partida amistosa contra a Alemanha disputada no Maracanã no dia 06 de junho de 1965. Naquele dia, o Brasil venceu por 2 a 0 com gols Flávio e Pelé

Na concentração da seleção brasileira, em 1964, Mané Garrincha está pensativo durante um joguinho (seria de damas ou ludo?) com companheiros. Bianchini observa o maior de todos os pontas.

Vejam a Seleção Brasileira em campo na Copa do Mundo de 1962. Em pé temos o técnico Aymoré Moreira, Djalma Santos, Zito, Gilmar, Zózimo, Nilton Santos e Mauro; agachados estão Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo

Em pé: Jair Marinho, Édson, Galhardo, Ditão, Dino Sani e Heitor. Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto.

Em pé: Maciel, Marcial, Édson, Dino Sani, Galhardo e Ditão. Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto.

Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Galhardo, Ditão, Édson e Heitor. Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto.

Apresentação dos jogadores convocados pela Seleção Brasileira para excursão à Europa. Observem como a reunião de parte da delegação brasileira, mesmo com dois títulos mundiais (1958 e 1962) era improvisada, em sala apertada no dia 25 de maio de 1965. Da esquerda para a direita: Fefeu, Sebastião Leônidas, Garrincha, Jairzinho, Murilo, um diretor da CBD, Orlando Peçanha (atrás), Gérson, Altair, Bianchini, Doutor Hilton Gosling (médico da Seleção), senhor Ernesto Santos (dirigente) e João Havelange, então presidente da CBD.

Vejam a Seleção Brasileira em amistoso no Maracanã em 1965. Reprodução de foto publicada no saudoso jornal "A Gazeta Esportiva". Em pé estão Djalma Santos, Bellini, Manga, Orlando, Rildo e Dudu; agachados estão Mário Américo, Garrincha, Ademir da Guia, Flávio, Pelé e Rinaldo

Em pé: De Sordi, Jadir, Nilton Santos, Gylmar, Mauro e Roberto Belangero. Agachados: Mário Américo, Garrincha, Moacir, Mazzola, Pelé e Canhoteiro

No final da carreira, Garrincha jogou várias partidas exibição em troca de alguns trocados que o ajudassem a se sustentar. Em um desses jogos, defendeu a camisa do Alecrim, de Natal, clube fundado pelo ex-presidente Café Filho. Na foto, é o segundo agachado da esquerda para a direita. Nesta dia, o time potiguar enfrentou amistosamente o Sport, no estádio Juvenal Lamartine, e mesmo com Mané em campo, perdeu por 1 a 0

Reprodução de página de editorial da revista 'Manchete' de 09 de junho de 1962 mostra Pelé e Garrincha sendo abençoados antes da Copa do Mundo do Chile começar. O editorial também faz referência ao fato de o filme 'O Pagador de Promessas', estrelado por Glória Menezes e Leonardo Vilar, ter sido premiado com a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes

Um gênio chamado Garrincha. Por José Roberto de Oliveira

Neste ano que lembramos, tristemente, os 25 anos de ausência do nosso querido Mané Garrincha, não poderia deixar de dar o meu depoimento pessoal sobre esta genialidade de jogador de futebol que, indiscutivelmente, não teve, até o momento, alguém que seja comparado a ele, não obstante o carisma de Pelé e de Maradona.

Ano de 1982, se não me falha a memória, em Indaiatuba, SP. A APAE da cidade, com pouco tempo de fundação, buscava de todo modo, recursos financeiros para dar continuidade em seus trabalhos de atendimento aos excepcionais, ou melhor, portadores de Síndrome de Dawn e solidificação de suas dependências.

Como um dos seus fundadores e pertencente ao quadro de sua diretoria de então, decidimos contratar os conhecidos Milionários, para uma partida contra o Esporte Clube Primavera local. Um evento com o caráter beneficente.

Mais do que nunca, os Milionários se prontificaram a estar na cidade, marcando data, hora e local. O Estádio Ítalo Mário Limongi foi pequeno para receber tanta gente. É que no contrato rezava a presença indispensável de um jogador: Mané Garrincha. Sem este, o contrato jamais sairia.

Entre os jogadores da equipe de veteranos, estava Paulo Borges, Tupãzinho e Dudu. Uma partida que ficaria marcado para sempre em minha retina. Explico.

O jogo dos veteranos do Milionários contra a equipe de profissionais do Esporte Clube Primavera se iniciou sem a presença de Mané Garrincha. É que ele havia chegado atrasado e não estava bem. Tive a oportunidade de vê-lo no carro, estendido no banco de trás e sem possibilidade alguma de entrar em campo. Mané Garrincha realmente não teria qualquer oportunidade de iniciar a sua carreira: tinha as pernas visivelmente tortas. Sei que o Luís Pereira (Luís Chevrolet), que iniciou sua carreira no São Bento de Sorocaba, passando pela Europa e Palmeiras, tem as pernas tortas. Contudo, estas pernas nem chegam no que eram as de Mané Garrincha, razão pela qual o denominam, também, de “o gênio das pernas tortas”.

Recolhido nos vestiários, demos, a ele, café quente, sem açúcar e tudo o mais fizemos para reanimá-lo. Foi difícil. O célebre jogador não dava sinal que poderia ficar em pé, tal o seu lastimável estado.

Lá, nas arquibancadas do estádio, a gritaria era ensurdecedor:

- “Garrincha! Garrincha! Garrincha! Queremos Garrincha!

O jogo parou e fomos falar com Dudu, que era o interlocutor do Milionários e expomos que não dava para continuar. E, possivelmente, teríamos que devolver o dinheiro, porque os que estavam ali queriam, a tudo o custo, ver Mané Garrincha em campo. Só vê-lo em campo, estariam satisfeitos.

Depois de um vai-e-vem, conseguiu-se deixar o Garrincha em pé. E lá foi o jogador para o campo. A sua entrada triunfal, foi um delírio total. Nunca imaginei que uma pessoa fosse tão idolatrada como o Mané Garrincha.

Reiniciou-se o jogo e o fantástico ponta ficava indo de um lado a outro, mas sem ninguém lhe passasse a bola. Havia o medo de uma queda ou qualquer coisa que pudesse lhe acontecer.

O delírio foi geral: “Bola pro Garrincha! Bola pro Garrincha!

E novamente o jogo pára. Chamamos o Dudu e expomos a situação. O ex-palmeirense foi claro, dizendo que Mané Garrincha não tinha condições de apanhar a bola e sair jogando. Mas nada disso adiantou. Propomos que ele mesmo, Dudu, jogasse para o ponta uma bola, só para constar. O pouco que ele estivesse com a mesma, seria o suficiente para os que pagaram o ingresso e lotaram o estádio.

Pois bem. Num determinado tempo do jogo, Dudu lhe faz um cruzamento. A bola chega pelo alto, até o peito de Mané Garrincha. Desliza sobre o seu corpo, chegando até os seus pés. Pisa e faz um gesto de vitória. Depois escorrega e cai. Não levanta mais e é retirado de maca.

Estes meus olhos, que a Terra há de comer, jamais presenciaram uma situação de jogo de futebol onde a bola, como que por um encanto, chega ao peio do jogador e só desce, vagarosamente até aos seus pés, com a serenidade de possuir um imã dentro dela e, creio eu, existir um outro dentro do fantástico jogador. Foram segundos de pura luz, tal a beleza de um gênio do futebol e uma esfera apaixonada por todos.

Mané Garrincha, ao que pese o aparecimento de jogadores extraordinários, principalmente aqui no Brasil, jamais será superado pela sua formosura em campo e, também, pelas suas célebres tiradas, próprias de sua simplicidade, cantadas em versos, em livros biográficos, em maestrias de vídeos que nos enchem de alegria, “alegria do povo” – assim como o chamavam.



*José Roberto Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador.
E-mail: guedes.idt@terra.com.br

Botafogo de Ribeirão Preto e Botafogo, o legítimo, posam antes de amistoso em 1958, na ex-capital do café. Em pé: Bauer (o terceiro), o goleiro Amauri (o quinto), Nilton Santos (o sexto), Beto (o oitavo) Didi (o décimo) seguido por Pampolini e Tomé; todos do Botafogo "pai". O primeiro agachado é Paulo Valentim. Garrincha e Zezé (ex-Corinthians) são os dois últimos.

Pelas lentes mágicas de Domício Pinheiro, Pelé e Garrincha escrevem a história da Copa do Mundo de 1958


Pelé e Garrincha: sem dúvida, os dois maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Um, eternizou a camisa 10 do Santos. O outro, imortalizou a 7 do Botafogo. E juntos, com a amarelinha, nunca foram derrotados

O Brasil de camisa azul na decisão da Copa do Mundo de 1958 contra a Suécia. Com atuação de gala de Pelé, vitória brasileira por 5 a 2 e o primeiro título mundial de nosso país. Em pé estão Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar; agachados vemos Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e Mário Américo

Em pé: Paulinho de Almeida, Zito, Castilho, Orlando, Coronel e Mauro Ramos de Oliveira. Agachados: o massagista Mário Américo, Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Pelé e Zagallo.

Da esquerda para a direita: Zito, Gylmar, Jair Marinho, Mauro, Calvet, Nilton Santos, Pepe, Coutinho, Didi, Gérson e Garrincha.

Silvano e Garrincha pelo Guarapuava, Adilson e Barbosinha vestindo a camisa do Ponta Grossa. Esta foto é de 1969 quando Silvano participou de jogo festivo ao lado do maior ponta-direita de todos os tempos

Em final de carreira, Garrincha teve meteórica passagem pelo Corinthians. No Parque São Jorge, o magistral ponta fez amigos. Entre eles: Maciel, Nei e Édson Cegonha (fotografados ao lado de Mané, da esquerda para a direita).


O ano de 1962 foi mágico para o Botafogo. O clube recebeu do COI (Comitê Olímpico Internacional) o título de Campeão de terra, mar e ar por ter conquistado títulos em todas as modalidades esportivas, 120 no total. Além disso, cedeu cinco titulares para a Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo do Chile, Didi, Amarildo, Zagallo, Nilton Santos e Garrincha. A foto mostra o esquadrão alvinegro campeão do Torneio Rio-São Paulo daquela temporada com Joel, Manga, Zé Maria, Pampolini, Paulistinha e Rildo em pé; agachados vemos Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.

Em 1966, Garrincha chegou ao Timão como grande esperança. Mas em suas apenas 13 partidas com a camisa do Corinthians, nem de longe lembrou o Mané dos tempos de Fogão.

Mané x Décio Teixeira, em 1966: deu empate. Garrincha não fez de Décio um novo “João”.

Este é o selo da Copa do Mundo de 1962 assinado pelos heróis brasileiros que a conquistaram em gramados chilenos. Uma verdadeira relíquia

Imortal, Garrincha ganhou este busto na entrada da sede do Glorioso




TROFÉU CARRANZA 66 – Embarque do Corinthians à Espanha para a disputa do Troféu Carranza, em 66. Estão em pé, Sérgio Barbalho, o diretor Chico Mendes, Flávio, Dino Sani, Édson, Marcos, o preparador físico José de Souza Teixeira, Clóvis, o massagista Souza, Nair, Ditão, o médico Haroldo Campos, o dirigente Jamil Helou, sra. Wadih Helu, o presidente Wadih Helu, o técnico Filpo Nuñez; agachados: Maciel, Marcial, Tales, Roberto Bataglia, Heitor, Galhardo, Gilson Porto, Roberto Rivellino, Mané Garrincha e Jair Marinho.

O preparador físico Paulo Amaral não dava descanso para os jogadores do Botafogo nem no convés do navio, em que a equipe da Estrela Solitária viajava para jogar alguns amistosos no continente europeu.
Crédito foto: Blog do Jornalista Roberto Porto

Pampolini, Lance, Garrincha, Djalma Santos, Nilton Santos e Bellini: eles ainda defenderam o romântico Milionários FC por puro amor ao futebol. A foto é do dia 26 de agosto de 1976.



Vejam Garrincha em 1972 na cidade de Jequié, na Bahia, ao lado do massagista Foca. No dia em que esta foto foi tirada, ele jogou no estádio municipal Waldomiro Borges de Souza, o primeiro tempo pela seleção de Ipiaú e o segundo pela de Jequié. O resultado da partida foi 2 a 2. Foto enviada pelo internauta Waldemir Vidal

Botafogo anos 50. Em pé: Gérson dos Santos, Gilson, Nilton Santos, Danilo Alvim, Ruarinho e Orlando Maia. Agachados: Mané Garrincha, Dino da Costa, Carlyle, Paulinho e Vinicius. A foto foi enviada pelo historiador José Eustáquio


Ao terminar a partida contra a Suécia, o ainda garoto Pelé caiu no gramado aos prantos. Garrincha tenta amparar o Rei.

Foto crédito: Gazeta Press/iG

Veja Garrincha concentrado para enfrentar a URSS, no terceiro jogo da Copa de 1958, onde o Brasil conquistou o primeiro caneco.

Foto crédito: Gazeta Press/iG

A foto enviada pelo historiador Walter Roberto Peres é de 1968 e mostra Garrincha, no Maracanã, com a camisa do Flamengo. Combinava?


Uma das formações da Seleção Brasileira na fase de preparação para a Copa do Mundo de 1962: Djalma Santos, Bellini, Zito, Calvet, Castilho e Nílton Santos; agachados: massagista Santana, Garrincha, Didi, Coutinho, Pelé, Pepe e o massagista Mário Américo.

Crédito foto: Arquivo CBF

No final dos anos 50, Vasco e Santos eram a base da seleção brasileira com o “reforço” do Botafogo. Em pé: Djalma Santos, Castilho, Bellini, Formiga, Orlando e Coronel. Agachados: Garrincha, Didi, Almir, Pelé, Chinesinho e Mário Américo.

Da esquerda para a direita, na equipe do Milionários: Garrincha, Ivair “O Príncipe” (ex-Lusa e Corinthians), Toninho Guerreiro, Brecha e Pepe.

O álbum-relíquia é do livro “O Eterno Futebol”, autobiografia do saudoso Mário Trigo, dentista da seleção nas vitoriosas campanhas da Suécia, Chile e México.

A torcida de Campos do Jordão desenhou um colar de diamantes em homenagem à Seleção Brasileira que, meses depois, seria bicampeã do mundo, em 1962. A foto não é linda? E era só treino das seleções A e B, de Aimoré Moreira. Da esquerda para a direita, estão: De Sordi, Jair da Costa, Prado, Didi, Calvet, Altair, Zito, Pelé, Zagallo, Airton Pavilhão, Gylmar, Bellini, Laércio, Jair Marinho, Amarildo, Aldemar, Rildo, Zequinha, Pepe, Garrincha, Vavá e Mengálvio. A foto-relíquia é do livro “O Eterno Futebol”, autobiografia do saudoso Mário Trigo, dentista da seleção nas vitoriosas campanhas da Suécia, Chile e México.

Vejam a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1966 com autógrafos dos craques que fizeram água em campos da Inglaterra. Vemos Gylmar, Djalma Santos, Fidélis, Bellini, Brito, Altair, Orlando, Paulo Henrique, Rildo, Pelé, Gérson, Manga, Denílson, Lima, Zito, Garrincha, Jairzinho, Alcindo, Silva, Tostão, Paraná e Edu

Que timaço de veteranos. Imagine quanto trabalho daria se tivesse realmente atuado junto algum dia profissionalmente. Vemos em pé Djalma Santos, Renato, Minuca, Djalma Dias, Bellini e Oreco e agachados Garrincha, Lima, Paulo Borges, Negreiros e Paraná

1962. Edição comemorativa da revista "O Cruzeiro" em homenagem ao bicampeonato da seleção no Chile. Na foto, vemos o brilhante orador Carlos Lacerda, então governador da Guanabara, presentear Garrincha com o pássaro "Mainá".

Zagallo e Garrincha correm para abraçar Amarildo, autor do primeiro gol do Brasil contra a Tchecoslováquia, na final da Copa de 62. O jogo terminou 3 a 1 para a seleção canarinho. Para comemorar o bicampeonato, a revista "O Cruzeiro" fez uma belíssima edição em homenagem aos atletas que levantaram a Taça Jules Rimet pela segunda vez.

Espanhol Garcia, durante a Copa de 62: "Cadê o Garrincha que estava aqui?". A foto é da revista "O Cruzeiro", edição especial em comemoração ao bicampeonato no Chile.

Garrincha entrando com o Flamengo no Maracanã lotado. Atrás do craque está o zagueiro Onça. E do lado esquerdo (da esquerda para a direita) estão: Silva (embaixo da fumaça), Liminha e Luís Carlos Tatu. À frente, com a mão direita na bandeira, o lateral Paulo Henrique. E atrás da cabeça de Paulo Henrique você vê parte do rosto do saudoso zagueiro Moisés. Esse jogo foi o da estréia do Mané: Fla 0 x Vasco 2, dia 30 de abril de 1968, no Maracanã, em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo. O Mengão formou com Dominguez, depois Marco Aurélio, Marcos (irmão do Paulo Henrique), Onça, Moisés e Paulo Henrique; Liminha e Rodrigues Neto; Garrincha, depois Zélio (que é irmão do Cafuringa e do Chiquinho Pastor), Dionísio, Silva e Luís Carlos.

Foto enviada por Marcelo de Paula Dieguez

Imagem real ou montagem de computador? Oito jogadores marcando Garrincha?
Foto enviada por Marcelo de Paula Dieguez

Garrincha rodeado por crianças em amistoso do Flamengo.
Foto enviada por Marcelo de Paula Dieguez

Da esquerda para a direita, em 1960, em Criciúma (SC): Didi, Joacy Casagrande e Garrincha.


Em meados da década de 1950, Garrincha estava começando no Botafogo (vejam o grande ponta na foto acima, primeiro agachado da esquerda para a direita). Havia acabado de deixar o distrito de Pau Grande, no Rio de Janeiro, para vestir as cores do Botafogo. A frase de Armando Nogueira para definir sua chegada ao clube da estrela solitária é antológica. "Lá (em Pau Grande) era ídolo de um povoado. No Botafogo, tornou-se ídolo de um povo".

Veja acima a Seleção Brasileira com a camisa azul. Da esquerda para à direita- Em Pé: Paulo Planet Buarque, De Sordi, Oreco, Zózimo, Dino Sani, Castilho, Mauro e o técnico Vicente Feola. Agachados: Mário Américo, Garrincha, Moacir, Vavá, Dida e Zagallo.Crédito foto: Arquivo Nacional.
Crédito foto: Arquivo Nacional

Garrincha, o ex-ponta Joacy Casagrande e um repórter nos anos 60


Nesse "meio" time do Botafogo, Edgar é o goleiro, seguido por Gérson dos Santos. A Enciclopédia Nilton Santos é o último em pé. O saudoso e inesquecível Garrincha é o primeiro agachado.

Jogo-treino entre Seleção Brasileira, com uniforme grená, contra o Atlético Mineiro, em Caxambú (MG). A foto, enviada por Walter Roberto Peres, é de Jader Neves, da Revista Manchete, do dia 7 de março de 1966


Pelé estava longe de ser um Toquinho ou Almir Sater, aliás, muito longe. Mas tentava se arriscar no violão. Em pé estavam Lima e Denilson. Agachados, ladeando Pelé, Garrincha e Ivair. A foto, enviada por Walter Roberto Peres, foi publicada na Revista Manchete no dia 7 de março de 1966

Preparação para a Copa do Mundo de 1966 na cidade de Caxambu-MG. A imagem dos atletas, refletida na água, foi publicada pela revista Manchete (edição 13), no mesmo ano. Da esquerda para a direita: Edu, Garrincha, Pelé e Ivair.

Revista “Manchete” de 7 de maio de 1966. A foto foi tirada por Jader Neves, em Caxambu-MG, durante a preparação da Seleção para a Copa de 1966 na Inglaterra. Em pé: Carlos Alberto, Zito, Manga, Brito, Orlando e Rildo. Agachados: o massagista Mário Américo, Garrincha, Gérson, Servílio, Pelé, Paraná e o massagista Santana.



Garrincha e Pelé vestiram por muitos anos o agasalho da Seleção Brasileira. E que orgulho, hein? Para eles e para nós!

Garrincha com a camisa do Olaria, contra o Flamengo. A partida terminou 1 a 1 e foi realizada no dia 23 de janeiro de 1972, no Maracanã. Ao todo, Garrincha fez 18 jogos com a camisa do Olaria. A foto foi enviada pelo querido Arthur Neto, torcedor fanático do Olaria AC. Obrigado, Arthur!

Veja o time do Milionários FC em 1977. Em pé, da esquerda para a direita: Djalma Santos, Dias, Djalma Dias, Aguinaldo, Orlando e Oreco. Agachados: Garrincha, Paulo Borges, Toninho Guerreiro, Brecha e Pepe.



Nilton Santos e Garrincha, na época do “guaraná com rolha”.


Botafogo, 1955. Em pé: Tomé, Nilton Santos, Orlando, Juvenal, Bob e Lugano. Agachados: um massagista, Garrincha, Gato, Paulinho Ladrão, Casnock e João Carlos.


Enquanto a Seleção Brasileira suava a camisa para ganhar a Copa de 58, o grande presidente Juscelino Kubitschek ouvia os jogos pelo rádio e torcia por Pelé, Garrincha e companhia. Aliás, só dava para acompanhar as partidas pelo rádio. Não existia TV no Brasil. A foto é da revista Manchete.



Na final do Campeonato Carioca de 1962 o Flamengo não impediu o colossal Botafogo de conquistar o título com uma impetuosa vitória por 3 a 0. Na foto, da esquerda para a direita, vemos: Edson, Garrincha, Zagallo, Amarildo e Quarentinha. Ao fundo, com a camisa do rubro-negro, aparece Gérson, o "Canhotinha de Ouro". O último é o ex-flamenguista Jadir.

Veja Garrincha e Dida, o segundo e o terceiro agachados, respectivamente, no CSA das Alagoas, cuja alcunha é: "O Azulão do Mutange". Esse é um dos apelidos mais lindos do futebol brasileiro. O "Papão da Curuzu", do Paysandu, também é belíssimo.

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